quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Eu me lembro como se fosse ontem, nós dois andando pelas ruas do rio indo pegar nosso ônibus, quando do nada você começou a falar: "posso te pedir uma coisa de coração? é sério, de coração mesmo" ; e naquele momento tudo já veio à minha cabeça, tudo muito embaralhado, não sabia no que pensar, no que chutar sobre o que você ia me pedir, e eu disse: "pode"; e então você falou: "porque você não vira escritora cara? você escreve tão bem".
E a minha reação foi não ter reação, e então eu comecei a te falar todas aquelas coisas que vinham na minha cabeça, sobre como escrever e como eu fazia, tentando de mostrar que escrever bem não era um mistério e que era muito fácil, e sabe o que eu descobri, que todas aquelas coisas bonitas e românticas que eu escrevia com tanta facilidade, era porque você me proporcionava aquilo, eu te disse, que quando quisesse escrever sobre alguma coisa ou alguma pessoa, era só colocar aquilo na mente e escrever tudo o que vier, e realmente, mas nossa, é muito difícil escrever quando não se tem uma inspiração, quando não se tem amor, quando se está na solidão, e não tem como eu virar escritora, se eu não tiver você sempre perto de mim, para me dar vida, e prazer de viver, e fazer as coisas que eu mais gosto, e isso tá acabando comigo, porque nem escrever eu consigo mais, pego no teclado e não sai mais música nenhuma, e eu tento o meu último refúlgio, a dança, que está sendo a única coisa que eu gosto de fazer, que eu to conseguindo sem você.

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